Amor Eterno
Eu não acreditava
mais em príncipe encantado, felicidade a dois e homem romântico.
Seis anos maravilhosos de vida em comum com o Luiz.
A pessoa amada chegou em minha vida de repente. Eu estava com trinta anos
quando ele foi transferido para o mesmo banco que eu trabalhava. Um bagaço de
mulher. Pedaços de um rompimento amoroso. Frangalhos. Olhar apagado. Abandonada
pelo homem que amava sem explicações, de uma hora para a outra.
Luiz tinha trinta e oito anos. Nem bonito e nem
feio. Atraente. Olhos escuros, penetrantes. Os olhos dele sorriam e apareciam
duas covinhas no rosto. Encantadoras. Sempre gostei de homens mais cheinhos.
Não era gordo, mas tinha um corpo atraente. O rosto cheio, simpático de traços
finos.
Quando ele se apresentou e apertou minha mão senti
arrepios. Instintivamente olhei para sua mão esquerda. Não vi aliança. Sorri
por dentro. No entanto, andava tão triste e desiludida que nem pensava mais na
possibilidade de amar novamente. A minha vida era ir da casa para o trabalho e
vice-versa. Não tinha mais ânimo para um chopp com amigos ou passeios.
Meu trabalho bancário envolvia visitas a clientes
em suas casas ou empresas. Luiz e eu éramos uma equipe. O convívio com ele era
amistoso. Ficamos muito amigos. No entanto, eu era muito fechada. Era um homem
gentil e com incrível senso de humor. Chegava ao banco e ,dez minutos depois,
se aproximava da minha mesa com café forte e água.
Um dia, sonhei com ele. Estávamos numa praia
deserta e fazíamos amor. Era o homem mais carinhoso do planeta. Único.
Especial. Depois desse sonho, mudei meu tratamento com ele. Comecei a ser
ríspida e indiferente. Luiz percebeu. Notei nos seus olhos risonhos uma
profunda decepção.
Era uma sexta-feira chuvosa , final do expediente
quando ele me abordou. Eu pegava o casaco para ir embora. Estava apressada.
Saía sem ao menos me despedir dele. Aproximou-se de mim com um sorriso triste:
- Nathália, o que aconteceu? Está com algum
problema?- perguntou amavelmente. Sim, eu estava. Estava com medo. Pânico. Medo
de me apaixonar novamente. Há uma semana havia encontrado meu o ex-namorado no
shopping com uma loira esfuziante. Os dois passaram rindo de mãos dadas. Partiu
meu coração.
Tentei me desvencilhar do Luiz. Ele segurou meu
braço levemente:
- Vamos sair agora? Preciso saber o que está
acontecendo com você! Fiz alguma coisa que lhe aborreceu?Está preocupada com as
metas do banco? É isso?- ele parecia um menino triste e assustado.
- Sair? Por que sair com você? - respondi com outra pergunta. Descarreguei minha raiva no homem errado. Luiz ficou olhando para mim
sem entender nada.
- Nathália, gosto de você! Somos amigos e colegas
de trabalho. De repente, você começou a me tratar mal. Nós trabalhamos juntos.
Isso não pode continuar. - queixou-se amuado.
Ele tinha razão. Agindo daquela maneira estava
comprometendo meu trabalho e o dele. Aquiesci. Fomos a um barzinho para
conversar. Quando ele me fitou eu tive a certeza de que estava apaixonada. No
entanto, sabia muito pouco sobre a vida dele. Era divorciado, pai de uma menina
e morava sozinho num apartamento.
Luiz começou a contar sua vida, o divórcio, a filha
adolescente. Abriu seu coração. O tempo todo me fitava nos olhos. Olhar sincero
e meigo. Abri meu coração também. Precisava abrir senão ia explodir de tanta
mágoa. Contei parte da minha vida. A morte da minha mãe aos 15 anos e um pai
ausente. Romances vazios. Homens apenas e não, companheiros. Aquela sexta-feira
ficou na história. A cor cinza do céu não importava. Meu coração estava
começando a cicatrizar as feridas do passado. Meu coração era um dia de sol!
Depois daquele dia, ficamos mais unidos. Num sábado
ensolarado, à beira de uma praia no litoral sul do estado de São Paulo, ele se
declarou. O beijo foi igual ao sonho. A gente se casou três meses depois.
Dizem que o casamento entra na rotina. Outros
comentam que está ultrapassado. Comigo não. Nossa união ficava mais saborosa a
cada dia que passava. Ele adorava rosas brancas. E sempre me surpreendia com as
rosas no meu café da manhã. Luiz era muito especial e eu procurava ser especial
para ele. Não era apenas casamento. Não era formalidade. Era amor. Apaixonado .
Intenso.
Um dia, ele saiu para o trabalho antes de mim. O
dia estava chuvoso. Deixou um bilhete carinhoso. Precisava chegar muito cedo
para uma reunião com empresários. Acordei um pouco angustiada. Estava ansiosa.
Esquisita. Tomei o café da manhã sozinha. A campainha tocou. Era o homem da
floricultura. E novamente rosas brancas. O perfume invadiu a sala. O Luiz
sempre me mandava flores quando eu menos esperava! Coloquei as rosas no vaso e
fui tomar um banho.
Estava quase saindo de casa quando o telefone
tocou. Meu coração disparou. A voz do outro lado era masculina e comunicou:
- A senhora é esposa do Sr. Luiz Almeida?
Concordei. Era do hospital. Meu marido havia
sofrido um grave acidente antes de chegar ao trabalho. Abordado por um carro em
alta velocidade na contra-mão. O motorista estava embriagado. Saí correndo para
o hospital. Meu Luiz morreu na hora.
Minha vida acabou. Não conseguia acreditar e nem
aceitar aquela tragédia. Não era uma pessoa religiosa. Acreditava em Deus
somente. Não rezava e nem ia a missas. Vida após morte? Por que pensar nisso?
Guardei as rosas brancas daquela manhã fatídica.
Achei que eram as últimas rosas. Chorei todas lágrimas. Voltei ao trabalho. Era
apenas um corpo sem alma. Os olhos risonhos do Luiz estavam em todo o lugar.
Como viver sem ele?
Um ano depois eu continuava um corpo sem alma.
Seca. Triste.
Num domingo chuvoso , fui até o cemitério orar pelo
meu Luiz. Não tive mais coragem de levar flores brancas. Apenas orei e
conversei com ele, com o amor da minha vida:
- Por favor, mostre pra mim que está vivo! Mostre
para mim que você não foi um sonho!-implorava em minhas noites insones.
Voltei para casa , tomei um banho e fui dormir. Nem
ao menos sonhava com ele. Perambulei meses e meses por centros espíritas para
obter uma mensagem psicografada. Nada. Fui a missas. Entrei em igrejas
evangélicas para assistir aos cultos. Nada me consolava. O luto prosseguia como
um dia cinzento, frio e triste. Luiz jamais voltaria para mim.
Num sábado chuvoso, acordei mais cedo. A cabeça
estourava. Tomei um comprimido e fiquei olhando para o teto. Era sábado e daí?
Iria para a casa da minha mãe? Tomaria ansiolíticos? Criei coragem e me
levantei da cama. Tomei um banho caprichado. A dor de cabeça passou. Eu estava
me sentindo diferente. Como se algo muito ruim estivesse saindo de mim. Pensei
no meu Luiz:
- Penso em você todos os dias, amor. Meu bem, você
está vivo? Você virou pó? Onde você está?- perguntei pra mim mesma.
A campainha tocou enquanto tomava meu café
solitário Era da floricultura. Estremeci. Uma onda de arrepios percorreu meu
corpo todo. O homem falou em tom de cerimônia:
- É para a senhora ! O cartão está junto com as
flores.- eu peguei o bouquet e o florista saiu em seguida. Meu coração acelerou
tanto que minhas mão ficaram geladas. Eram rosas brancas. Perfumosas. Botões
lindos. Aveludados. Peguei o cartão com ansiedade. Quem poderia ser?
Li rapidamente:
- Querida Nathália, estou no Brasil. Cheguei ontem
da Espanha . Desta vez para ficar! Faz muitos anos que não a vejo e nem tenho
notícias suas. Arrisquei. De repente, me deu vontade de lhe mandar rosas
brancas. Sabia que gostava de flores. Acertei? Ficarei um mês no Brasil.
Gostaria de Revê-la. Espero que esteja bem. Me telefone! Estou no hotel
Horizonte. - André
André era um grande amigo da juventude. Era muito
talentoso e logo se formou em Comércio Exterior. Estava fora do Brasil há
muitos anos e nunca mais tive notícias dele. Naquele momento, senti que era um
sinal do meu Luiz. Ah, ele quis provar que estava vivo! Deus atendeu às minhas
preces! A nuvem escura saiu da minha vida. Eu tinha a certeza de que ele estava
vivo em algum lugar. Aquilo não era simplesmente uma coincidência.
André não sabia desse detalhe; das rosas brancas
preferidas do meu amado. E, nem ao menos sabia que eu me casara e havia ficado viúva.
Uma semana depois, recebi rosas brancas novamente.
Eram de uma prima que morava na Capital. Ficou sabendo que eu havia perdido o
Luiz. Ela também não sabia que o Luiz gostava de me presentear com flores
brancas.
As rosas brancas eram o sinal de que uma nova fase
estava começando em minha vida. Sinal de que Luiz estava vivo em algum lugar e
se preocupava comigo. Eu me senti amparada e confortada.
Estava viva! Precisava continuar vivendo com
alegria. Precisava acreditar no futuro.
O Luiz se foi há quatro anos. As rosas pararam de
chegar. Não preciso mais delas. Estou feliz novamente! Olhando a janela do meu
quarto aqui em Milão respiro aliviada. André , meu novo marido, está chegando.
Não acreditem na dor eterna. Muito menos na
felicidade eterna.
Acreditem na vida eterna.
Sim e, no amor eterno que ultrapassa as barreiras
da morte.
Acreditem na superação, na esperança e na coragem.
Na grande e infinita misericórdia divina!
Nathália- Espanha
Nomes fictícios.
Conto inspirado pelos espíritos.
Você acredita em sinais? Acha que os espíritos
desencarnados estão vivos em algum lugar?Podem aliviar a dor da saudade
enviando algum sinal de que estão vivos? Podem sim. Já ouvi muitos relatos
objetivos de pessoas que obteram respostas , comunicação dos mortos através dos
sinais. Flores, sons, cheiros e sensações.
Eles se utilizam de outras pessoas, de animais,
acontecimentos diários. Como saber? Intuição. Nosso espírito sabe tudo. Nosso
espírito sabe o que é bom para nós.
Por que algumas pessoas nunca tiveram notícias ou
sinais dos falecidos desencarnados?
Nunca é uma palavra muito forte. Certamente, já
viram ou se comunicaram durante o sono com pessoas queridas falecidas. Podem
não ter lembranças. Ou então alguns espíritos desencarnados precisam de um
certo tempo para se recuperar do desencarne e ainda não estão prontos para
comunicação.
A possibilidade de comunicação entre os espíritos é
uma doce consolação;uma vez que ela proporciona um meio de conversar com nossos
parentes e amigos que deixaram a Terra antes de nós. Eles nos ajudam com seus
conselhos ,nos testemunham sua afeição e o contentamento que experimentam com
nossa lembrança.
Quais são as possibilidades de comunicação entre
espíritos encarnados e desencarnados?
Através dos sonhos: quando dormimos apenas a
matéria descansa. O espírito fica livre e pode visitar parentes desencarnados.
E, por vezes, lembranças doces de sonhos com parentes falecidos que podem ser
uma comunicação real.
Sinais: flores, avisos, sensações que esses
espíritos podem nos passar para nosso alívio.
Psicografia: os espíritos podem se comunicar
através de médiuns de psicografia.
Psicofonia: podem se comunicar através da
incorporação. Eles utilizam o aparelho vocal e a matéria de um determinado
médium para passar os recados.
Clarividência: ver com os olhos da mente, do espírito. Os afetos desencarnados ficam visíveis com a aparência da última desencarnação.
A comunicação entre os espíritos encarnados e
desencarnados independe de credo religioso.
Se você ainda não teve qualquer sinal ou notícia do
seu ente querido não se desespere.
Seu mentor espiritual sabe da sua dor. Deus é muito
bom . Há uma causa sábia e justa para todos os acontecimentos.
Livro dos Espíritos- Allan Kardec pg 291
Tradução: Salvador Gentile
Sandra Cecília

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